Do luxo ao lixo? Para, para, para. Aqui não vamos contar uma história triste.
Aos canalhas de plantão: essa é a primeira vez que escrevo um artigo, então espero que gostem.
Pra quem não me conhece, eu sou o Filipe Primo. Recentemente, recebi uma placa como primeiro colocado do ranking CLM #15 (2025/2). O resultado da final não foi o que eu esperava, mas a lição que quero trazer aqui hoje não é sobre um resultado isolado, e sim sobre a jornada.
No semestre passado, fiquei Top 8 da Final do CLM Pauper, em um torneio com 164 jogadores, fechando 7-1 jogando de Gruul Monster — um arquétipo que eu simplesmente adoro. Esse resultado acabou sendo um combustível: motivou meus amigos da minha cidade a entrarem de vez no CLM, a jogarem mais torneios e a levarem o competitivo mais a sério. E é aqui que a nossa temporada começa de verdade.
Meu objetivo inicial não era ranking, nem troféu. Era simples: levar o maior número possível de amigos da minha cidade para a Final do CLM. Então começamos a rodar pelas lojas da região, quase sempre em quatro pessoas. Jogamos principalmente na Barão Geek, Mont, Imperium, Bardos, Red Bridge e, principalmente, na nossa casa: Coliseu TCG.
Aqui faço um agradecimento especial ao pessoal da Coliseu, que me ajudou em algumas viagens, e principalmente aos amigos que estiveram comigo na maioria dos torneios: Jean Pierri e Brunão.
Eu já imaginava que tinha chances reais de terminar em primeiro no ranking — no semestre passado fiquei em terceiro —, mas só perto do fim da temporada isso virou um objetivo concreto. Joguei alguns torneios extras para “lockar” a posição.
No total, foram 39 torneios, sendo 33 de Pauper. Fiz 7 Top 8, conquistei 1 troféu de Standard, 1 de Limitado e 2 de Pauper. Uma jornada extremamente positiva. Ainda mais considerando que todos os torneios Pauper eu joguei de Gruul e variações.
Mesmo vendo pessoas mudarem sideboard ou até o deck inteiro quando viam meu nome na lista, eu me dispus a esse desafio: masterizar o deck ao máximo. Mas, sem dúvida, a maior conquista da temporada foi outra: classificamos 7 jogadores da nossa cidade para a Final do CLM. Isso, pra mim, vale mais do que qualquer placa.
Para a Final, decidi ir para São Paulo na sexta-feira, assim como havia feito no semestre passado. Estar na cidade antes faz muita diferença: menos cansaço, melhor noite de sono.
Dessa vez, optei por jogar de Naya Dianteira, uma variação do Gruul Ramp que lida melhor com os decks que vinham me dando mais trabalho — especialmente Spy e Red Madness. Tracei todo um plano.
Naya
Chegamos no fim da tarde da sexta, fizemos aquela resenha com os amigos, saímos pra comer e no final da noite discuti sideboard, ajustei a lista, montei um side guide, seguindo o plano.

Os jogos começaram às 9h. Não sei vocês, mas eu sempre sinto aquele frio na barriga antes de um torneio grande. Ainda assim, eu estava preparado, confiante. Tinha feito minha melhor campanha na temporada, tinha um plano e tinha treinado.
Antes do início das rodadas, a equipe da Liga me presenteou com uma placa comemorativa. Um momento inesquecível e fizeram isso na frente de todos os jogadores de Pauper, eu via os olhares: alguns apreensivos, outros claramente ansiosos pelo confronto.


Eu estava bem. Era, sim, um dos favoritos a um bom resultado.
E é aí que o Magic começa a brincar com a gente.
Na primeira rodada, pareei com White Weenie. Separei a mão, estava com uma god hand… e a rodada foi refeita. No novo pareamento: Hot Dogs — o mesmo jogador para quem eu havia perdido no Nacional.
No G1, com muito samba, consegui vencer e a confiança foi lá em cima. Pós-side, eu tinha muitas cartas boa contra esse deck. No G2, ele abre de Rite of Flame + Kiln Fiend . Eu faço Utopia Sprawl… e morro no turno 2, com Lava Dart + Assault Strobe .No G3, começo o jogo, keepo uma mão com Circle of Protection: Red e Coalition Honor Guard . Só precisava que o jogo chegasse ao turno 3. Abro de floresta, faço Sagu buscando a branca. Ele responde com Rite of Flame + Immolating Souleater . Faço o Círculo — minha única jogada — e na vez dele ele faz Manamorphose e compra exatamente o Temur Battle Rage . Sim. Duas vezes letal no turno 2.

Respiro fundo e sigo.
Na segunda rodada, vou para a mesa da live. Era o meu momento. Meu oponente estava de Red Madness, o vilão da temporada para o meu deck. Eu tinha um plano. Estava confiante, mas o destino riu de novo. G1: abro uma mão com 4 terrenos, 2 Hunters e 1 Crisálida. Impossível. Mulligo. Mão sem land. Mulligo de novo, só land branca. Mulligo outra vez e sou obrigado a keepar uma mão com apenas uma land vermelha, um Malevolent Rumble e um sonho: comprar floresta. Não veio. Fui atropelado.
Pós-side, entro com tudo: Circle of Protection: Red , Armadillo Cloak , Coalition Honor Guard . Meu oponente mulliga e arrisca uma mão de uma land, dessa vez não teve jogo pra ele, eu ganho esse game ficando 1-1 a match. No G3, keepo uma mão boa, bem sideada. Mesmo assim, ele abre forte demais: dois Guttersnipe + Kessig Flamebreather . O jogo desanda. Perco.

Estou 0-2.
Na terceira rodada, pareio com um UR Serpentine Curve (sim, um deck de 2020). Ainda abalado, não percebo que o deck dele tem uma carta vermelha que causa 5 em tudo e perco o G1. Venci o G2 com Dianteira, mas no G3 ele fecha com Fling .

Sim abri o campeonato 0-3. E eu dropo. No começo, fiquei bem abalado. Mas, ao longo do dia, encontrei amigos, recebi apoio, deixei a frustração de lado e aproveitei o evento. À noite, saí pra comer com a galera. Mais resenha.
No domingo, jogamos o Pauper Trios. Meu time era forte: Jhow Jansen de Caw Gates, Giovanni Murakami de Mono U Delver, e eu, pra descontar a raiva, fui de BG Gardens. E foi simplesmente divertido.
BG Gardens
Abrimos o torneio do jeito mais engraçado possível: sendo carregado pelos meus amigos. Na primeira rodada, eles ganharam rápido, com direito a muita resenha, enquanto eu ainda estava lá tentando resolver meu jogo.
Rodada dois, o roteiro se repetiu: risada pra cá, piada pra lá, e meus jogos… eternos. Sim, eu estava pilotando oficialmente um deck de “empata-empata”.
Na terceira rodada, defendendo a mesa 1, a história mudou um pouco: eu perdi, mas meus amigos ganharam novamente. Eu tinha começado o campeonato mal, é verdade, mas o clima seguia leve — e eles continuavam vencendo tudo.
Na quarta rodada, os papéis se inverteram. Dessa vez, só eu ganhei, arrancando boas risadas da mesa então estamos 3-1. O mesmo aconteceu na quinta rodada, dessa vez eu fui o mais rapido da mesa, venci de um mono red rally, mas por fim ficamos 3-2. Já na sexta rodada, apenas o Jhow venceu sua partida, e assim nosso trio encerrou o torneio com um honesto 3-3.

Então o Magic me deu uma lição, às vezes, você vai se preparar, estudar, planejar… e não vai alcançar o resultado esperado. Mas isso não define se você teve um dia ruim.
Eu reencontrei amigos, fiz novas amizades, me diverti no Pauper Trios e lembrei do que realmente importa o Gathering. Nem toda vitória é um troféu e nem todo prêmio é dinheiro.
Obrigado a todos que me parabenizaram por essa temporada. Semestre que vem tem mais — e eu estarei lá, jogando, resenhando e vivendo isso tudo de novo.
Nos vemos na mesa.


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Parabéns pela temporada primão. Representou demais nos pontos corridos, manteve a constância e o troféuzinho vai ser motivo de orgulho pra vida toda. É isso, na vida quem sabe lidar bem com as frustações está um passo a frente sempre. Tmj o/
Pessoa fenomenal,extremamente técnico,obviamente um grande conhecedor de decks e plays ,de resto sem novidades ,nada mais justo que receber a placa …….
Cada partida contra ele é sempre um aprendizado,nada que cause temor,aliás justamente o contrário ,matchs extrovertidas regadas a risos e comentários hironicos de cartas que são na humilde opinião dele “absurdas de estarem no meu deck” e ele sempre deixando isso claro,não como algo ríspido,e sim como um comentário de um grande amigo ……
Sou um cara que te admira muito ,parabéns mais uma vez pela trajetória e o caráter!!!!!
Um abraço meu amigo!!!