Quem acompanha o Pauper competitivo certamente já percebeu que o Bogles recentemente voltou a fazer alguns resultados expressivos. E, quando o assunto é Bogles, certamente o nosso amigo Gustavo (PedraStone) está envolvido.
O brabíssimo cidadão de Ribeirão-Preto, a maravilhosa terra do João Rock e da cerveja Colorado (uma da minhas favoritas), simplesmente conquistou dois Tops 1 nos Pauper Challenges dos dias 6 e 12 de março.
Diante disso, achei que seria uma ótima oportunidade para trocar uma ideia com ele e trazer uma entrevista aqui para o site. Aproveito também para registrar minha gratidão ao Gustavo, que sempre foi muito acessível e parceiro ao longo da minha humilde jornada produzindo conteúdo. Já tivemos a chance de gravar diversos episódios de podcasts juntos, e ele sempre contribuiu bastante com sua visão e experiência para a comunidade.
Bogles
De uns tempos para cá eu tenho jogado mais formatos mesmo. Eu já costumava jogar o Pioneer aqui na minha cidade, mas aos poucos fui entrando em outros formatos no MOL para participar dos Challenges, que são os eventos mais rentáveis da plataforma. A estratégia está funcionando, e além dos formatos que você citou, às vezes também participo de eventos de Legacy, Vintage e Modern. Os resultados ainda são tímidos, mas tenho aprendido bastante.
Essa tem sido minha fase atual no Magic competitivo. O jogo basicamente se tornou meu trabalho. Percebi que há chance de chegar ao Pro Tour participando de alguns eventos no MOL e consequentemente no IRL. Já tive duas oportunidades nos RCs (Regional Championship), mas ainda não rolou. Vamos caminhando aos poucos. Em maio vou jogar mais um RC em São Paulo, vamos ver como me saio.
O Pauper já foi meu carro-chefe, mas hoje tenho jogado bem menos. Apesar de achar que o formato está saudável e com bastante diversidade de decks, vejo uma dinâmica meio “pedra, papel e tesoura” no topo, entre Mono Red, Mono Blue e Elfos. Ainda assim, outros decks continuam beliscando bons resultados, como o próprio Bogles, que eu consegui me sair bem.
O problema é que, mesmo com essa diversidade, não tenho gostado muito da forma como os jogos se desenrolam. Parece que vence quem consegue jogar mais vezes suas cartas fortes. Mesmo trocando recursos e respondendo às ameaças do oponente, no fim ganha quem consegue jogar suas cartas fortes primeiro.
Por exemplo, é possível lidar com um Refurbished Familiar , mas se o oponente encaixar mais uma ou duas cópias na sequência, voltar para o jogo já fica bem complicado. O mesmo vale para cartas como Tolarian Terror ou Writhing Chrysalis .
Tenho a impressão de que aquelas grandes reviravoltas que o formato permitia antigamente estão cada vez mais raras. Os jogos ainda são longos, mas quem está atrás parece que está sempre tentando uma virada que quase nunca vem. Elas ainda existem, mas bem menos do que antes.
Tenho jogado com uma lista criada por um amigo meu, o Hinahara, um japonês entusiasta de Bogles com quem já converso há bastante tempo. Como ele não joga muito no MOL, a lista acabou não sendo tão divulgada.
Quando vi a lista, fui trocar uma ideia com ele para entender melhor as mudanças. A conclusão foi que o Bogles é muito forte no game 1, quando os oponentes ainda não têm respostas específicas, mas sofre bastante no pós-side contra os hates.
A proposta da lista é justamente reduzir essa vulnerabilidade, especialmente contra descarte, efeitos de sacrifício e remoções de encantamentos. No pós-side, o plano muda um pouco: em vez de depender só das auras, o deck adota uma postura mais “ramp”.
Na prática, isso significa que, se o oponente responder suas auras, tudo bem, você segue desenvolvendo o jogo com cartas como Writhing Chrysalis , acelerando mana e atacando por diferentes ângulos. Em alguns jogos, dá até para encaixar um Generous Ent ou voltar ao plano original de encantar uma criatura com hexproof.
A ideia é sempre colocar o oponente em situações difíceis, e a lista tem se comportado bem contra a maioria dos decks justamente por isso, ficando menos “Glass Cannon” e mais resiliente.


Cartas do sideboard mudam o comportamento do deck
O deck já joga bem contra as variações de Mono Red, então nesses matchups o plano praticamente não muda: continuo focado em encantar criaturas e ganhar vida.
Já contra a maioria dos outros decks, com algumas exceções como combos mais específicos, a estratégia de ramp no pós-side tem se mostrado uma ótima opção.
Com essa mudança, o oponente não consegue mais otimizar o sideboard como fazia contra a versão tradicional. Ele acaba sendo forçado a manter remoções pontuais que muitas vezes ficam sem alvo, enquanto os hates contra auras também perdem eficiência, já que deixam de impactar boa parte do deck.
No fim, o objetivo é justamente esse: atacar por ângulos diferentes e dificultar ao máximo as respostas do oponente, tornando o deck mais imprevisível e resiliente.
É muito legal ver um deck tão tradicional do Pauper voltando a conquistar bons resultados. Durante minhas conversas com o Gustavo, ele comentou que está preparando um Side Guide para quem quiser se aprofundar no deck.
Eu já disse que serei o primeiro a comprar e recomendo o mesmo a vocês, leitores e entusiastas do Pauper. Vale muito a pena acompanhar o trabalho do Gustavo e entrar em contato com ele para aprender mais sobre o Naya Bogles/Ramp.
Além disso, é sempre interessante ouvir jogadores que se criaram no Pauper, mas também jogam de tudo, pois isso traz novas perspectivas e ajuda a entender melhor o momento do formato.
Vou finalizando por aqui. Obrigado pela leitura e até a próxima o/


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