Pois é. Já ouvi essa frase algumas vezes, e é engraçado como algumas pessoas têm essa percepção. Talvez pelas camisas que usamos, afinal, a maioria delas tem aquele estilo de camisa esportiva, ou simplesmente porque, durante muito tempo, a ideia de “Next Level” esteve muito associada a um grupo de jogadores.
Mas não. A Next Level não é e nunca foi um time de Pauper.
Eu já falei um pouco sobre isso no artigo que contei sobre a cultura dos times de Pauper no Brasil, mas hoje pretendo contar uma história um pouco mais pessoal e explicar exatamente como a Next Level surgiu e como acabou se transformando no que é hoje.
Por volta de 2017, eu e o Heli criamos um projeto chamado Pauper View. Naquela época, o Pauper ainda era um formato muito menos conhecido do que é hoje, e nosso objetivo era justamente ajudar a divulgá-lo.
Criamos um canal no YouTube, podcast, artigos e algumas outras iniciativas. Entre elas um grupo no WhatsApp chamado Pauper Brasil.
O grupo era aberto e rapidamente se tornou um espaço bastante movimentado para discutir o formato. Naquela época, praticamente tudo acontecia por ali: discussão de decks, novidades, torneios, cartas novas e, claro, aquelas discussões intermináveis sobre banimentos.
O problema é que o grupo cresceu rápido demais.
E, como normalmente acontece quando muita gente começa a dividir o mesmo espaço, vieram também os problemas. Administrar o grupo ficou cada vez mais difícil e, principalmente, começou a aparecer uma toxicidade que me incomodava bastante.
Foi então que decidi abandonar o Pauper Brasil e criar um grupo menor, mais próximo e com pessoas que realmente contribuíssem para as discussões.

Naquela época, a gente já frequentava alguns eventos de Pauper e conhecia vários jogadores pessoalmente. Conforme encontrávamos pessoas que considerávamos interessantes para as discussões, íamos adicionando essas pessoas ao grupo.
Acho que eu nunca falei sobr isso, mas eu estava em uma fase em que queria evoluir como jogador, e é daí que surgiu o nome Next Level, pelo que me lembro esse nome nunca foi discutido com ninguém, já nasceu junto com a ideia de criar o novo grupo.
Embora eu nunca tivesse lido o livro Next Level Magic escrito por Patrick Chapin, eu já sabia do que se tratava e ele serviu sim de inspiração para o nome do grupo pois casava exatamente com a ideia de reunir pessoas que também tivessem vontade de melhorar, discutir o jogo, trocar experiências e, de alguma forma, chegar ao próximo nível.
Cada pessoa que entrava no grupo recebia um texto explicando qual era o objetivo daquele espaço. A ideia era deixar claro, desde o começo, que aquilo não seria simplesmente mais um grupo só para compartilhar memes ou reclamar de banimentos.
Queríamos discutir o jogo. Queríamos evoluir.
Com o passar do tempo, os membros decidiram criar uma camisa para que pudéssemos nos reunir uniformizados nos eventos. O Jhow foi o responsável por criar o escudo da Next Level, com as montanhas ao fundo representando essa ideia de escalada, de chegar ao próximo nível.

Lembro que a primeira versão do símbolo usava vermelho e azul, em uma combinação semelhante à do New England Patriots, da NFL. Mas os próprios membros sugeriram mudar as cores para amarelo e azul, em uma homenagem aos Correios, afinal, eles têm a importante missão de entregar nossas cartinhas em casa.

Já se passaram quase dez anos desde o surgimento do grupo, e seu objetivo continua praticamente o mesmo. Pessoas novas chegam, enquanto, de tempos em tempos, removemos membros antigos que deixaram de jogar ou de interagir no grupo.
Nosso objetivo nunca foi ter o um grande número de integrantes. A ideia é justamente o contrário. Queremos reunir pessoas que estejam vivendo um momento parecido com aquele que eu estava vivendo quando criei o grupo: pessoas que estejam em busca de evolução. Não tem a ver com o nível de jogo da pessoa, mas com o quanto ela está engajada.
O grupo continua na ativa. Atualmente, eu nem jogo mais Pauper com tanta frequência, mas continuo fazendo parte da comunidade através da Next Level. E foi justamente assim que comecei a ajudar na organização do Next Level Pauper Tour.
No início de 2024, ainda em um cenário de pós-pandemia, os torneios presenciais estavam em baixa. O CLM estava em hiato, enquanto a Liga Magic havia decidido investir mais no cenário digital, com transmissões de Magic Arena. O Nacional Pauper continuava existindo, mas nunca foi exatamente uma unanimidade e, de certa forma, não conseguia suprir toda a demanda que a comunidade tinha por campeonatos grandes.
Foi nesse cenário que decidimos organizar o primeiro Next Level Pauper Tour, que aconteceu em Barueri.
Guardo esse primeiro evento com um carinho especial. Apesar de ter sido o NLPT que teve a menor premiação, foi também o que mais exigiu dedicação do grupo. Nós realmente assumimos todos os riscos de realizar um evento e tivemos até mesmo que colocar uma pequena quantia de dinheiro do nosso caixa para completar a premiação.
Também contamos com a ajuda de muitos membros do grupo na organização. E aqui eu digo com toda certeza: esse evento só aconteceu por causa da vontade e da determinação do Capiva. Foi ele quem levou a ideia para frente, acreditou que era possível e conseguiu motivar o restante do grupo a embarcar nessa loucura.
No fim, considero que foi um sucesso total.
A partir dali, os próximos eventos começaram a contar com parcerias com lojas, enquanto o próprio cenário do Pauper também crescia muito de lá pra cá. Aos poucos, fomos conseguindo estruturar melhor os torneios, aumentar as premiações e melhorar a experiência dos jogadores.
Mas, olhando para trás, acho que aquele primeiro NLPT que mostrou que era possível fazer algo diferente. Com certeza ele foi inspiração para que outros organizadores percebessem que também era possível fazer coisas maiores e melhores pelo Pauper.
E, para mim, essa talvez seja uma das maiores conquistas da Next Level até hoje: não apenas organizar os próprios eventos, mas ajudar a mostrar que a comunidade é capaz de construir algo muito maior quando existe vontade de fazer acontecer.
Nosso próximo evento vai acontecer dia 31 de outubro em São Paulo, se você ainda não está sabendo, acesso o link, confira todos os detalhes e garanta seu ingresso para fazer parte dessa história.

Esse artigo foi inspirado no primeiro episódio do PrimoShow, o podcast do Filipe Primo. Assista na íntegra:

